
Marco Reis · CEO e editor
Há dez anos estuda e aplica em renda fixa, renda variável e criptoativos, e escreve sobre os produtos que acompanha com o próprio dinheiro. Programador, construiu o site e as ferramentas de redação da Palácio dos Cartões, da qual é CEO. Também corre maratonas.
O CDB do Banco do Brasil costuma pagar entre 90% e 99% do CDI, abaixo da média de mercado de 99,7% do CDI apurada pela Quantum Finance no fim de 2025. Isso o coloca atrás de CDBs de bancos menores e corretoras, que chegam a 108%-120% do CDI, e próximo ou até atrás do Tesouro Selic em rentabilidade líquida. Na prática, só compensa se o cliente não conseguir taxa melhor em outra instituição com o mesmo nível de proteção do FGC.
Quem tem conta no Banco do Brasil e recebe do gerente aquela oferta de CDB costuma se fazer a mesma pergunta: isso é bom, ou só é conveniente? A resposta curta é que depende do percentual do CDI oferecido, e na maioria dos casos observados esse percentual fica abaixo da média de mercado. Isso não torna o produto ruim automaticamente. Mas muda a conta de quem está comparando com outras opções de renda fixa que oferecem o mesmo nível de segurança.
Por que o CDB do Banco do Brasil gera tanta dúvida entre clientes de agência?
O Certificado de Depósito Bancário é um dos produtos mais oferecidos em agências bancárias no Brasil, e o BB não é exceção. Segundo o próprio Banco do Brasil, o CDB é um investimento pós-fixado indicado para quem precisa de liquidez, como reserva de emergência, podendo ser resgatado a qualquer momento. A página oficial descreve as características do produto, mas não informa o percentual do CDI pago atualmente, informação essencial para saber se a aplicação compensa.
Essa lacuna empurra o investidor para fontes secundárias, e ela própria é o assunto de por que o BB não mostra a taxa antes de você entrar no app. Um vídeo de análise financeira, sem caráter institucional, indica que o CDB do BB passou a render 99% do CDI, ante 97% do CDI anteriormente, segundo o canal do YouTube consultado nesta apuração. Vale a ressalva: não há confirmação oficial dessa taxa nem histórico público disponibilizado pelo banco, o que exige cautela antes de tratar esse número como definitivo para qualquer aplicação específica.
O pano de fundo explica por que a dúvida persiste. Em 2025, os CDBs somaram R$ 1,331 trilhão em estoque e foram os principais responsáveis pelo avanço de 15,5% nos investimentos de pessoa física em relação a 2024, segundo dados publicados pelo Investalk, canal de conteúdo do próprio Banco do Brasil. É um produto em alta demanda, mas com taxa que varia bastante entre instituições, e o marketing de conveniência do banco onde já se tem conta tende a esconder essa variação.
Quanto rende o CDB do BB na prática?
O percentual do CDI oferecido pelo banco
Para comparar CDBs, o primeiro número a pedir é sempre o percentual do CDI. É ele que determina se o produto está acima, dentro ou abaixo da média de mercado. Um levantamento da Quantum Finance, divulgado pela B3 Bora Investir para o período de 12/12/2025 a 28/01/2026, analisou 141 CDBs indexados ao CDI com prazo de 12 meses e encontrou taxa mínima de 90,00% do CDI, máxima de 108,00% do CDI e média de 99,70% do CDI. Com a estimativa de 99% do CDI citada para o CDB do BB, o produto fica dentro da faixa observada no mercado, mas ligeiramente abaixo da média, e bem distante do teto de 108% encontrado em outras instituições.
Simulação com valores reais: R$ 2.300 e R$ 5.000
Números concretos ajudam a visualizar o impacto dessa diferença de alguns pontos percentuais do CDI. Em uma simulação da B3 Bora Investir com aporte de R$ 5.000, Selic em 15% ao ano e prazo de 12 meses, a rentabilidade líquida foi de 10,02% para um CDB a 90% do CDI, 11,14% para um CDB a 100% do CDI e 11,36% para um CDB a 102% do CDI. Aplicando essa mesma lógica proporcionalmente a um aporte de R$ 2.300, a diferença entre um CDB a 90% e um a 100% do CDI representa cerca de R$ 25 a mais de rendimento líquido em 12 meses. Pouco em termos absolutos, mas relevante quando multiplicado por valores maiores ou prazos mais longos.
Em outro comparativo da mesma fonte, com Selic a 14,75% ao ano e os mesmos R$ 5.000 aplicados, a rentabilidade líquida em 12 meses foi de 9,00% na poupança, 11,17% no Tesouro Selic 2031, 10,12% no CDB a 90% do CDI, 11,24% no CDB a 100% do CDI e 13,49% no CDB a 120% do CDI, segundo dados da B3 Bora Investir. Repare que um CDB a 90% do CDI rendeu líquido menos do que o Tesouro Selic no mesmo período — é justamente a faixa em que o CDB do BB tende a se posicionar quando o banco não aplica a taxa mais alta observada no mercado (99%).
Como o Imposto de Renda regressivo reduz o retorno líquido?
Todos os números acima já são líquidos de Imposto de Renda, mas vale entender por que a diferença entre bruto e líquido é tão grande em prazos curtos. Segundo a Comparabem, o rendimento do CDB segue a tabela regressiva: alíquota de 22,5% para resgates em até 180 dias, caindo progressivamente até 15% para aplicações acima de 720 dias. Isso significa que quem resgata um CDB do BB em poucos meses paga proporcionalmente mais imposto do que quem mantém o dinheiro aplicado por dois anos — outro motivo para levar o prazo em conta antes de julgar se a taxa oferecida compensa. Para entender o produto com mais profundidade, vale a leitura de como o CDB funciona e quando ele vale a pena.
CDB do BB rende mais ou menos que Tesouro Selic e outros CDBs?
O argumento da comodidade e da confiança na marca
Existe uma razão prática para tanta gente aceitar a oferta do próprio banco sem comparar: é rápido, não exige abrir conta em corretora e carrega a sensação de segurança de uma instituição grande. Esse argumento não é ilegítimo — para quem já tem o dinheiro parado na conta corrente do BB e simplesmente quer parar de perder rendimento, migrar para o CDB do próprio banco é melhor do que deixar o valor parado sem nenhuma remuneração. O problema é tratar essa comodidade como se fosse também a melhor rentabilidade disponível, o que os números não confirmam.
Por que a média do mercado supera a oferta padrão do BB?
Bancos grandes como o BB dependem menos de captar recursos via CDB para funding, porque têm base de clientes cativa e outras fontes de recursos. Bancos médios e pequenos, além de corretoras, precisam pagar mais para atrair o mesmo dinheiro. É isso que explica CDBs a 108%, 120% ou mais do CDI nesse tipo de instituição, enquanto o percentual do CDI fica na faixa de 90% a 100% em bancos maiores, segundo o levantamento da Quantum Finance replicado pela B3 Bora Investir. A cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é a mesma nos dois casos, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição — o que muda é apenas quanto o banco está disposto a pagar pelo seu dinheiro. Para quem quer ver esse raciocínio aplicado a um caso de taxa mais alta, vale comparar com o artigo sobre CDB PagBank e o que a taxa de 130% do CDI não mostra.
O que muda para quem já tem dinheiro parado no BB?
Segurança do FGC não é diferencial exclusivo do BB
É comum ouvir que vale a pena aceitar uma taxa menor "porque é o Banco do Brasil, é mais seguro". Mas a cobertura do FGC — até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, segundo o SPC Brasil — se aplica igualmente a CDBs emitidos por bancos médios, pequenos e por corretoras parceiras de instituições financeiras autorizadas. Dentro desse limite, o risco de crédito do investidor é essencialmente o mesmo, independentemente de o emissor ser um banco com décadas de história ou um banco menor e menos conhecido. A segurança, portanto, não justifica sozinha aceitar uma taxa abaixo da média de mercado.
O custo real de aceitar a oferta padrão do gerente sem negociar
O maior risco prático de quem investe no CDB do BB não é de crédito, é o custo de oportunidade de nunca perguntar se existe taxa melhor. A diferença entre um CDB a 90% do CDI e um a 100% do CDI, como mostrado nas simulações acima, já representa algumas dezenas de reais a mais por ano em aportes de R$ 5.000, e cresce proporcionalmente com valores maiores. Considerando que 45% dos brasileiros guardam dinheiro sem buscar nenhuma rentabilidade e 48% aplicam apenas na poupança, segundo pesquisa do Banco Central do Brasil, migrar da conta corrente ou da poupança para qualquer CDB pós-fixado já é um avanço. Mas quem já deu esse passo tem espaço para ir além: negociar diretamente com o gerente, verificar a taxa disponível na plataforma de investimentos do banco, ou comparar com outras instituições antes de renovar a aplicação no vencimento. Quem também usa o CDB como reserva de emergência pode aprofundar essa comparação em CDB com liquidez diária vale a pena para reserva de emergência e em quanto guardar e onde deixar a reserva de emergência.
Perguntas frequentes
O CDB do Banco do Brasil é seguro?
Sim, tem a mesma cobertura do FGC de qualquer CDB: até R$ 250 mil por CPF e por instituição. A segurança não é diferencial do BB frente a outros bancos ou corretoras.
Vale mais a pena o CDB do BB ou o Tesouro Selic?
Em simulações recentes com Selic a 15% a.a., o Tesouro Selic rendeu líquido próximo ou acima de um CDB a 90%-100% do CDI, faixa em que o CDB do BB costuma se enquadrar. A diferença só se inverte se o BB oferecer percentual acima de 100% do CDI.
Dá para negociar uma taxa melhor no CDB do BB?
Sim, gerentes de agência costumam oferecer taxas padrão mais baixas do que as disponíveis via plataforma de investimentos do próprio banco (BB Investimentos). Vale perguntar diretamente pelo percentual do CDI antes de aceitar a primeira oferta.
O CDB do BB tem liquidez diária?
O CDB pós-fixado do BB permite resgate a qualquer momento, sendo indicado inclusive para reserva de emergência. A liquidez diária não é exclusividade do BB, outras instituições oferecem o mesmo com percentuais de CDI mais altos.
Quanto de Imposto de Renda incide sobre o CDB do BB?
Segue a tabela regressiva: 22,5% para resgates em até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias. Esse desconto incide sobre o rendimento bruto no momento do resgate ou vencimento.
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fact_check Como este artigo foi produzido
A apuração parte de fontes primárias: Banco Central, Tesouro Nacional, IBGE, FGC, B3 e a legislação publicada no Planalto. Todo artigo publicado aqui traz pelo menos duas delas, listadas acima. A inteligência artificial entra como ferramenta em duas etapas, a pesquisa e a primeira versão do texto — é o que permite a uma redação pequena cobrir mais assunto sem abrir mão da conferência. Ela não assina e não decide: antes de publicar, o editor que assina o artigo lê, corrige e aprova, e a responsabilidade pela informação é dele.
