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Tesouro Direto rendimento

Tesouro Direto rendimento: quanto sobra depois do imposto?

Marco Reis

Marco Reis · CEO e editor

Há dez anos estuda e aplica em renda fixa, renda variável e criptoativos, e escreve sobre os produtos que acompanha com o próprio dinheiro. Programador, construiu o site e as ferramentas de redação da Palácio dos Cartões, da qual é CEO. Também corre maratonas.

edit_note Criado em 17 de agosto de 2026verified Revisado por Marco Reis em 17 de agosto de 2026edit_calendar Publicado em 16 de agosto de 2026update Atualizado em 17 de setembro de 2026

O Tesouro Direto tem três famílias de títulos com lógicas de rendimento diferentes: o Tesouro Selic acompanha a taxa básica, o Prefixado trava uma taxa fixa na compra e o IPCA+ paga a inflação mais um juro real. A taxa exibida na plataforma é bruta e só se concretiza integralmente para quem carrega o papel até o vencimento: quem vende antes recebe o preço de mercado do dia. Do rendimento saem ainda a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, isenta até R$ 10.000,00 no Tesouro Selic, e o Imposto de Renda pela tabela regressiva de 22,5% a 15%.

Quem digita "quanto rende o Tesouro Direto" quer um número. Existem três respostas simultaneamente corretas, e nenhuma delas é a que está na tela.

A taxa que a plataforma exibe não é rendimento. É promessa condicional. Ela se cumpre por inteiro para quem carrega o papel até o vencimento; quem vende antes recebe o preço de mercado daquele dia, que pode estar acima ou abaixo. E mesmo quem chega ao fim recebe menos do que o número anunciado, porque dele ainda saem a custódia da B3 e o Imposto de Renda.

Nada disso é defeito. É como títulos de renda fixa funcionam em qualquer lugar, e o Tesouro Direto é o produto mais transparente e mais barato do varejo brasileiro. Mas quem entra achando que travou 14% ao ano e resgata em oito meses vai ver outro número na conta e vai achar que foi enganado. Não foi. Faltou ler a tela.

Por que cada título do Tesouro Direto rende de um jeito?

Porque cada família trava uma coisa diferente no momento da compra.

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica. Você não trava nada: o rendimento sobe e desce com a Selic, hoje em 14,00% ao ano desde a reunião do Copom de 4 e 5 de agosto de 2026, com corte de 0,25 ponto percentual aprovado por unanimidade. Como o preço acompanha o indexador, quase não há sobressalto se você vender no meio do caminho.

O Tesouro Prefixado trava a taxa inteira. Você sabe exatamente quanto recebe por unidade no vencimento, desde o dia da compra, e assume que os juros podem tomar rumo diferente do precificado.

O Tesouro IPCA+ trava um juro real e deixa a inflação correr. É o único formato que garante ganho acima da inflação, seja qual for a inflação. Para referência, o IPCA de julho de 2026 ficou em 0,07%, acumulando 4,44% em 12 meses segundo o IBGE.

Para dar ordem de grandeza, e só isso, uma fotografia de 02/07/2026 publicada pelo portal da B3, citando análise de mercado: o Tesouro Prefixado 2029 aparecia com oferta de 14,20% ao ano e o 2032 com 14,36%; o Tesouro IPCA+ 2032 chegou a 8,30% ao ano acima da inflação e o IPCA+ 2040, a 7,64%.

Números de julho. Não são a taxa de hoje, e não devem ser usados como tal.

Vale registrar ainda um quarto integrante, recém-chegado. O Tesouro Reserva, título indexado à Selic lançado em maio de 2026, estreou com vendas superiores a R$ 1,52 bilhão, mais de 80 mil investidores e a maior captação líquida do programa naquele mês, R$ 1,48 bilhão. Em junho somou R$ 2,09 bilhões em vendas. Chegou funcionando.

O pano de fundo que explica o interesse: cruzando a Selic de 14,00% com o IPCA de 4,44%, o juro real fica próximo de 9,1% ao ano pela fórmula (1,14 ÷ 1,0444) menos 1. Cálculo da redação, não indicador oficial.

A taxa que aparece na tela é o que você vai receber?

Só se você ficar até o fim. Essa frase resolve metade das frustrações com o produto.

A taxa exibida é a rentabilidade contratada até o vencimento. Quem vende antes recebe o preço de mercado do dia, a chamada marcação a mercado. Juros caíram desde a sua compra? O papel vale mais e você sai ganhando acima do contratado. Subiram? Vale menos.

Isso atinge Prefixado e IPCA+. O Tesouro Selic é praticamente imune, porque acompanha o indexador em vez de precificar uma taxa travada.

O comportamento agregado mostra que a diferença é entendida na prática, mesmo por quem nunca ouviu a expressão "marcação a mercado". No estoque de junho de 2026, os títulos ligados a índices de preços somavam R$ 132,2 bilhões, ou 50,4% do total, contra R$ 97,1 bilhões (37,0%) dos indexados à Selic e R$ 33,1 bilhões (12,6%) dos prefixados. Nas recompras antecipadas do mesmo mês, porém, os indexados à Selic responderam por R$ 3,0 bilhões, 64,1% do total, contra R$ 1,1 bilhão (24,8%) dos papéis de inflação e R$ 518,9 milhões (11,2%) dos prefixados.

Metade do dinheiro parado está em inflação. Dois terços do dinheiro que sai correndo está em Selic. Cada papel já é usado para o que serve, e quem vende IPCA+ no meio do caminho é minoria.

O perfil de prazos confirma a leitura. Do estoque de junho, apenas R$ 33,2 bilhões (12,6%) vencem em até um ano, enquanto R$ 122,5 bilhões (46,7%) vencem entre um e cinco anos e R$ 106,8 bilhões (40,7%) só depois de cinco. É dinheiro majoritariamente comprometido com prazo, não com liquidez.

Um detalhe operacional que vale saber antes de precisar: o Tesouro Nacional garante liquidez diária, e das 9h30 às 18h em dias úteis os resgates são processados com os preços e taxas do momento da transação. Das 18h às 5h, e em fins de semana e feriados, a liquidação usa os preços de abertura do dia útil seguinte.

Clicar em vender às 22h de uma sexta não congela o preço daquele instante. Você fica exposto ao que o mercado fizer na abertura de segunda.

Quanto o Imposto de Renda e a taxa de custódia tiram do rendimento?

Duas mordidas, ambas previsíveis, e uma delas menor do que a fama sugere.

A tabela regressiva do art. 1º da Lei nº 11.033/2004 cobra 22,5% para resgates em até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima de 720 dias, sempre sobre o rendimento e retido na fonte.

Quem leu por aí que isso mudou leu conteúdo vencido. A Medida Provisória nº 1.303/2025, que propunha alíquota única, caducou: a Câmara dos Deputados aprovou requerimento de retirada de pauta em 8 de outubro de 2025, por 251 votos a 193, e a MP perdeu vigência à meia-noite do mesmo dia.

Há ainda uma camada que só morde quem entra e sai muito rápido. O art. 32 do Decreto nº 6.306/2007 prevê IOF de 1% ao dia sobre o resgate, limitado ao rendimento, conforme tabela regressiva do Anexo que parte de 96% do rendimento no primeiro dia e zera a partir do 30º dia corrido.

Do lado dos custos, o Tesouro Direto é dos produtos mais baratos do mercado brasileiro. A B3 cobra 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, provisionada diariamente e descontada na venda antecipada, no vencimento e no pagamento de juros. E no Tesouro Selic não há cobrança para valores até R$ 10.000,00 por CPF; acima disso, a taxa incide apenas sobre o excedente.

Faça a conta com um caso concreto. Uma reserva de emergência de R$ 8.000,00 em Tesouro Selic roda com custo de custódia zero. Se ela crescer para R$ 25.000,00, os 0,20% incidem só sobre R$ 15.000,00, o que dá R$ 30,00 por ano. Poucas coisas no varejo financeiro brasileiro custam tão pouco.

Existe também a taxa da instituição financeira, que é livremente acordada com o investidor. A maioria zerou, mas o Tesouro publica um ranking com o que cada uma cobra. Confira antes de abrir conta em qualquer lugar.

Um alívio estrutural: não há come-cotas em título público. O imposto sai apenas no resgate, na venda antecipada ou no pagamento de juros semestrais.

Por que quem faz aportes mensais paga menos imposto?

Por uma regra que quase ninguém conhece e que trabalha silenciosamente a seu favor.

O Tesouro Direto usa o modelo PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair), o que faz o investidor pagar a menor alíquota possível dentro do seu estoque de títulos.

Veja o efeito com números. Alguém que aplicou R$ 500,00 todo mês durante três anos não tem uma aplicação de R$ 18.000,00. Tem 36 lotes com datas de compra diferentes. Quando resgata R$ 5.000,00, o sistema baixa primeiro os lotes mais antigos, os que já cruzaram os 720 dias e pagam 15% de IR, em vez dos comprados nos últimos meses, que ainda estariam nos 22,5%.

Ninguém precisa fazer nada. Está na regra do programa. Mas quem não sabe tende a evitar resgates parciais achando que será tributado pela alíquota mais alta, e acaba tomando decisão pior do que precisava tomar.

Isso importa porque o perfil dominante do programa é exatamente esse. Em junho de 2026 foram 1.530.276 operações de investimento somando R$ 14,76 bilhões, com valor médio de R$ 9.648,34 e 50,7% das operações de até R$ 1 mil. Metade do movimento vem de gente aplicando pouco e com frequência, o público que o PEPS mais beneficia.

Onde ver a taxa de hoje e como ler a tela sem se enganar?

Na fonte, e só nela. As taxas mudam ao longo do próprio dia, e nenhum artigo consegue publicar o número vigente no momento em que você lê. Este inclusive: os valores de julho citados aqui são referência de ordem de grandeza, com data colada por honestidade.

Três instruções para não se enganar diante da plataforma:

  • Leia o nome inteiro do título, com o ano. "Tesouro IPCA+ 2032" e "Tesouro IPCA+ 2045" são produtos distintos, com taxas distintas e sensibilidades muito diferentes a mudanças de juros.

  • Entenda o que a taxa significa em cada família. No Selic, é a taxa básica mais um pequeno ágio ou deságio. No Prefixado, é o total. No IPCA+, é o que vem além da inflação — o número da tela não inclui o IPCA, e essa é a confusão mais comum de todas.

  • Confira o vencimento contra o seu prazo. A taxa vale para quem chega lá. Se a data não bate com a sua necessidade, aquele número é ficção no seu caso.

O que o comportamento dos outros investidores revela sobre cada título?

O programa vive seu melhor momento, e a distribuição do dinheiro conta uma história.

O estoque fechou junho de 2026 em R$ 262,5 bilhões, alta de 4,6% sobre maio e de 45,5% sobre junho de 2025, quando estava em R$ 180,4 bilhões. A emissão líquida do mês foi de R$ 10,10 bilhões, o maior valor da série histórica.

Nas vendas, a divisão foi quase salomônica entre dois grupos: títulos ligados à Selic com 42,3%, indexados à inflação com 41,0% e prefixados com 16,7%.

Prefixado sendo minoria clara não é acaso. É o único formato que exige uma opinião sobre a trajetória dos juros — quem compra está apostando que eles vão cair mais do que o mercado já precificou. Os outros dois não pedem previsão nenhuma, e é por isso que dominam.

Um último dado, que diz mais sobre educação financeira do que sobre rendimento. Em junho de 2026 o programa tinha 35.853.678 investidores cadastrados e apenas 3.689.486 com saldo aplicado, embora tenham entrado 97.271 investidores ativos só naquele mês.

Cerca de 32 milhões de pessoas abriram cadastro e pararam. O gargalo não é dinheiro nem acesso, já que metade das operações é de até R$ 1 mil. É a segunda tela — aquela que pede para escolher entre Selic, IPCA+ e Prefixado, com vencimentos espalhados por duas décadas.

Se você chegou até aqui, essa tela virou um problema resolvido. Falta olhar a taxa de hoje e conferir se o vencimento bate com a data em que o dinheiro vai fazer falta.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Preços e taxas mudam ao longo do dia; consulte a plataforma oficial antes de aplicar. Os dados do programa referem-se a junho de 2026, e o desempenho passado não garante resultados futuros.

Perguntas frequentes

Quanto rende o Tesouro Direto por mês?

Depende do título e da data. O Tesouro Selic acompanha a taxa básica, hoje em 14,00% ao ano, enquanto Prefixado e IPCA+ têm taxas próprias que mudam ao longo do próprio dia — consulte a página oficial de preços e taxas antes de calcular.

O Tesouro Direto pode dar prejuízo?

Pode, se você vender Prefixado ou IPCA+ antes do vencimento com marcação a mercado desfavorável. Levado até o fim, o retorno contratado se cumpre, e o Tesouro Selic praticamente não sofre esse efeito.

Qual a taxa de custódia do Tesouro Direto?

A B3 cobra 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, sem cobrança no Tesouro Selic para valores até R$ 10.000,00 por CPF. Acima disso, a taxa incide apenas sobre o excedente.

Preciso pagar IOF no Tesouro Direto?

Só em resgates feitos antes de 30 dias corridos da aplicação, conforme o art. 32 do Decreto nº 6.306/2007. A partir do 30º dia a alíquota é zero.

Tesouro Direto tem come-cotas?

Não. O come-cotas atinge fundos de investimento; em título público o imposto sai no resgate, na venda antecipada ou no pagamento de juros semestrais.

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A apuração parte de fontes primárias: Banco Central, Tesouro Nacional, IBGE, FGC, B3 e a legislação publicada no Planalto. Todo artigo publicado aqui traz pelo menos duas delas, listadas acima. A inteligência artificial entra como ferramenta em duas etapas, a pesquisa e a primeira versão do texto — é o que permite a uma redação pequena cobrir mais assunto sem abrir mão da conferência. Ela não assina e não decide: antes de publicar, o editor que assina o artigo lê, corrige e aprova, e a responsabilidade pela informação é dele.

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