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Como Funciona o Tesouro Selic: da Compra ao Resgate (Guia 2026)

Marco Reis

Marco Reis · CEO e editor

Há dez anos estuda e aplica em renda fixa, renda variável e criptoativos, e escreve sobre os produtos que acompanha com o próprio dinheiro. Programador, construiu o site e as ferramentas de redação da Palácio dos Cartões, da qual é CEO. Também corre maratonas.

verified Revisado por Marco Reis em 04 de julho de 2026edit_calendar Publicado em 04 de julho de 2026

Muita gente compra Tesouro Selic achando que vai embolsar, líquido, exatamente a Selic do dia. Não é assim. Entre o clique de compra na corretora e o dinheiro caindo na conta, o rendimento passa por um funil de descontos — custódia da B3, eventual taxa da instituição, IOF e Imposto de Renda — que reduz o retorno bruto sem que o investidor sempre perceba onde cada centavo foi parar. Entender esse funil, e por que esse título específico quase não oscila de preço no meio do caminho, é o que separa quem usa o Tesouro Selic com inteligência de quem se surpreende ao ver o extrato.

O Tesouro Selic é um título público (LFT) cuja rentabilidade acompanha diariamente a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, sendo incorporada ao valor do papel a cada dia útil. O retorno líquido do investidor é reduzido pela taxa de custódia da B3 (0,20% ao ano, isenta até R$ 10 mil), eventual taxa da corretora, e pelo Imposto de Renda regressivo (22,5% a 15%), além do IOF caso o resgate ocorra antes de 30 dias.

O que é o Tesouro Selic e como ele rende por dentro?

A Letra Financeira do Tesouro, conhecida comercialmente como Tesouro Selic, é um título público com rentabilidade diária atrelada à taxa Selic, a taxa básica de juros da economia (B3 Bora Investir). Não existe um "cupom" pago periodicamente: o rendimento é embutido no preço do próprio título, dia após dia.

O rendimento é atualizado diariamente conforme a variação da Selic, sendo incorporado ao valor do título ao longo do tempo, e a rentabilidade acumulada é assegurada caso o papel seja mantido até o resgate (Investidor10). Na prática, o preço unitário da LFT sobe todo dia útil, de forma bastante previsível, como um extrato de poupança turbinado, só que atrelado à Selic, não a uma regra fixa de remuneração.

Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano, valor definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central após a reunião de 17-18 de junho de 2026. Esse número é o ponto de partida de qualquer simulação de rendimento do Tesouro Selic. Mas, como você verá adiante, ele é bruto. Os descontos vêm depois.

Tesouro Selic rende quanto por mês? Simulação passo a passo

Vamos usar um número redondo para facilitar a conta. Suponha um investimento de R$ 10.000,00 e uma Selic estável de 14,25% ao ano, sabendo que, na prática, a taxa pode mudar a cada reunião do Copom e o rendimento acompanha essas variações dia a dia.

  • Rendimento bruto anualizado aproximado: 14,25% ao ano equivale a algo perto de 1,11% ao mês em juros compostos, sem considerar qualquer desconto.
  • Sobre R$ 10.000,00, isso representa, de forma simplificada, cerca de R$ 111,00 de rendimento bruto no primeiro mês.
  • Taxa de custódia da B3: a taxa de 0,2% ao ano é calculada sobre o valor dos títulos e provisionada diariamente na posição do investidor, iniciando a partir da liquidação da operação de compra em D+1. No exemplo de R$ 10.000,00, não há cobrança de custódia, já que o Tesouro Selic é isento até esse valor por CPF; a taxa incide apenas sobre o que exceder esse teto.
  • Taxa da corretora: essa cobrança é livremente acordada entre investidor e instituição financeira, podendo ser anual ou por operação, e o próprio Tesouro Direto publica um ranking comparando as taxas praticadas por cada instituição. Muitas corretoras hoje praticam taxa zero, mas vale conferir antes de escolher onde investir.
  • Imposto de Renda: incide apenas no resgate, sobre o rendimento acumulado, nunca sobre o valor investido, como será detalhado na próxima seção.

Ou seja: num cenário de isenção de custódia e taxa zero de corretora, o rendimento mensal bruto de cerca de R$ 111,00 do exemplo acima só sofre o desconto do IR na hora do resgate. Já em aportes acima de R$ 10.000,00, a custódia passa a corroer uma fatia pequena, mas real, do retorno mês a mês.

Quais taxas e impostos incidem sobre o Tesouro Selic?

É aqui que mora o mito do "investimento sem custo e sem imposto". O Tesouro Selic tem, sim, camadas de desconto. Só que, comparadas a outras aplicações, costumam ser mais brandas e mais transparentes. São quatro possíveis descontos:

  • Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano, isenta até R$ 10.000,00 por CPF no Tesouro Selic; acima disso, incide apenas sobre o excedente. Ela é cobrada na venda antecipada, no vencimento da posição ou em eventos de custódia, o que ocorrer primeiro.
  • Taxa da instituição financeira: livremente pactuada entre investidor e corretora/banco, podendo ser cobrada de forma anual ou por operação.
  • IOF regressivo: incide sobre resgates realizados antes do 30º dia de aplicação, com alíquota de 96% no primeiro dia, caindo gradualmente até 3% no 29º dia e zerando a partir do 30º dia (Safra – Tabela regressiva IR e IOF). Essa cobrança recai exclusivamente sobre o rendimento da aplicação, nunca sobre o capital investido (InfinitePay – IOF CDB).
  • Imposto de Renda regressivo: desde 2005, essa tabela é aplicada a modalidades de renda fixa tributáveis, como CDB, debêntures comuns e títulos do Tesouro Direto, incluindo o Selic, com alíquotas que caem conforme o prazo e nunca incidem sobre o principal (Bora Investir – Tabela regressiva do IR). As faixas vão de 22,5% para resgates em até 180 dias até 15% para prazos acima de 720 dias, sempre sobre o rendimento (Creditas – Tabela do Imposto de Renda 2026). A retenção é automática no momento do resgate ou vencimento, sem necessidade de recolhimento posterior pelo investidor (Fazaconta – IR sobre Investimentos).

Na prática, quem mantém o dinheiro aplicado por mais de dois anos paga a alíquota mínima de IR (15%) e nunca encosta no IOF. Quem precisa sacar em poucos dias sente o peso do IOF regressivo. É mais um motivo para tratar o Tesouro Selic como reserva de médio ou longo prazo, e não como conta-corrente disfarçada.

Por que o Tesouro Selic quase não sofre marcação a mercado?

Diferentemente de outros títulos públicos, o Tesouro Selic apresenta menor sensibilidade à marcação a mercado, o mecanismo que ajusta diariamente o preço dos títulos conforme as variações das taxas de juros (Investidor10). Isso acontece porque a remuneração do papel já é pós-fixada e atrelada à própria Selic: quando a taxa básica sobe ou cai, o rendimento do título se ajusta junto, em vez de gerar uma discrepância entre o "preço justo" e o preço pago originalmente, como ocorre com prefixados e títulos IPCA+.

Na prática, vender um Tesouro Selic antes do vencimento raramente provoca perdas relevantes de rentabilidade acumulada, ao contrário do que pode acontecer com um Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, se as taxas de juros subirem depois da compra. É essa característica que torna o Selic o candidato natural para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento.

Tesouro Selic ou poupança: qual rende mais e é mais seguro?

Em termos de segurança, os dois são geridos por instituições públicas e considerados de baixíssimo risco de crédito. Os investimentos no Tesouro Direto não são segurados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC); a garantia da devolução dos recursos é um compromisso direto da União (InfoMoney – Tesouro Selic). Já a poupança tem cobertura do FGC até o limite vigente. Mas, na prática, o risco de calote da União em títulos públicos federais é tratado pelo mercado como equivalente ou até menor do que o de outras aplicações cobertas pelo FGC.

Em termos de rentabilidade, a comparação depende do momento da Selic: historicamente, quando a Selic está em patamares elevados como o atual, o Tesouro Selic tende a superar com folga a remuneração da poupança, mesmo descontando taxa de custódia e Imposto de Renda. Já em ciclos de Selic muito baixa, a diferença encolhe, e a poupança (isenta de IR) pode se aproximar do rendimento líquido do Tesouro Selic. Vale simular o cenário vigente antes de decidir onde alocar a reserva.

Tesouro Selic vale a pena para reserva de emergência?

Essa é, provavelmente, a aplicação mais citada por analistas de mercado quando o assunto é reserva de emergência — e não por acaso. O Tesouro Direto recompra os títulos em dias úteis, e pedidos de resgate feitos até 13h podem ter liquidação no mesmo dia (Euqueroinvestir – Tesouro Selic). Somado à baixa sensibilidade à marcação a mercado descrita acima, isso significa que o investidor consegue transformar o título em dinheiro rapidamente, sem o risco de vender "na baixa" como pode ocorrer com ações ou fundos imobiliários.

O ponto de atenção fica por conta do curto prazo: quem resgatar antes de 30 dias arca com o IOF regressivo, e quem sacar em menos de 180 dias paga a alíquota mais alta de IR (22,5%). Isso não inviabiliza o uso para emergências (afinal, a alíquota incide só sobre o rendimento, não sobre o capital), mas reforça que o ideal é tratar essa reserva como algo para ser usado só quando realmente necessário, e não como uma conta de movimentação frequente.

Perguntas frequentes

O Tesouro Selic tem garantia do FGC?

Não. O Tesouro Direto não é coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito, mas conta com a garantia da União, considerada o compromisso de maior solidez do país em termos de risco de crédito (InfoMoney – Tesouro Selic).

Posso perder dinheiro no Tesouro Selic?

É muito raro, mas resgates antes de 30 dias sofrem incidência de IOF regressivo, e pequenas oscilações de preço podem ocorrer em resgates antecipados, embora a perda de rentabilidade acumulada seja praticamente inexistente, dada a baixa sensibilidade desse título à marcação a mercado.

Quanto tempo demora para resgatar o Tesouro Selic?

O Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente, e pedidos feitos até 13h em dias úteis costumam ter liquidação no mesmo dia (Euqueroinvestir – Tesouro Selic).

Existe valor mínimo para investir no Tesouro Selic?

Sim, é possível investir a partir de frações do título, com valores mínimos que geralmente giram em torno de R$ 30 a R$ 150, dependendo da cotação do dia e do percentual mínimo de fração permitido pela plataforma.

O Tesouro Selic é melhor que um CDB de 100% do CDI?

Depende das taxas cobradas por cada instituição e do prazo de resgate. O Tesouro Selic costuma oferecer liquidez diária garantida pelo Tesouro Nacional, enquanto o CDB de liquidez diária conta com a proteção do FGC até o limite vigente, mas pode ter liquidez mais restrita, a depender das condições contratadas. Vale comparar as condições específicas antes de decidir.

fact_check Como este artigo foi produzido

A apuração parte de fontes primárias: Banco Central, Tesouro Nacional, IBGE, FGC, B3 e a legislação publicada no Planalto. Todo artigo publicado aqui traz pelo menos duas delas, listadas acima. A inteligência artificial entra como ferramenta em duas etapas, a pesquisa e a primeira versão do texto — é o que permite a uma redação pequena cobrir mais assunto sem abrir mão da conferência. Ela não assina e não decide: antes de publicar, o editor que assina o artigo lê, corrige e aprova, e a responsabilidade pela informação é dele.

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